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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Abdominais

Comecei minha vida sexual um tanto tarde, pelo menos no meu ponto de vista, na verdade acho que sob o ponto de vista de qualquer garoto isso é sempre um tanto tarde. Meu interesse por sexo despertou lá pelos 9 anos de idade e só conseguir estar diante do fato em si aos 18 por vezes me fez desejar ter nascido na época em que o pai se encarregava disso colocando o garoto nas mãos de uma profissional experiente. Sabemos que esse não foi meu caso. Enquanto o dia D não chegava, eu pacientemente colhi todo tipo de informação teórica que estava ao meu alcance. Matéria alguma em toda minha vida escolar despertou interesse parecido. Aos 15 anos já possuía material educativo suficiente para abrir uma pequena biblioteca, mas mamãe certamente não apoiaria minha intenção de compartilhar esse tipo de conhecimento.
Como disse antes, aos 18 anos de idade eu finalmente pude por em prática tudo que havia aprendido. A primeira vez foi um pouco desajeitada mas em menos de dois anos contava com uma quantidade considerável de mulheres em meu currículo e havia recebido boas notas de desempenho, o que poderia não me tornar um “expert” mas sem dúvida alguma me deixava muito acima da média. Não é o caso de falta de modéstia. Só o fato de você se preocupar com a outra pessoa já te faz diferente de uma maioria, isso é triste, mas é fato.
Apesar de todo o conhecimento acumulado, faltava alguma coisa. Embora prazeroso, em muitos momentos eu me sentia como um atleta que tem que fazer 800 abdominais antes de poder treinar. Nunca pensei em parar, mas naquele momento eu gostaria de não ter que pensar tanto. Assim os anos foram passando. Não me orgulho disso, mas conheci muitas outras mulheres até o dia em que finalmente encontrei a redenção em uma.
Fisicamente ela não era diferente das outras e psicologicamente ela era completamente diferente, como todas as outras. O que mudou minha vida foi nossa primeira noite. Poderia dizer que estava apaixonado, mas isso também não era diferente de situações que tinha vivido antes. Toda a diferença aconteceu em uma única frase. Enquanto nos beijávamos e eu me esforçava para convencê-la de que era uma ótima escolha ela me puxou pelos cabelos e disse meu nome seguido de “Faz amor comigo”. Foi como se tudo parasse naquele instante, sei que isso é clichê, mas foi exatamente o que aconteceu. Um filme com todas as mulheres com quem estivera passou em altíssima velocidade pela minha cabeça e nada chegava perto do que havia ouvido. Não eram apenas as palavras, todo o contexto como havia sido dito e o brilho no olhar dela. Pela primeira vez em minha vida eu fazia amor. Todo o resto servira apenas de laboratório para a primeira noite de inúmeras outras que seguiram. Tinha a certeza de que todo o aprendizado não havia sido em vão e finalmente amava alguém. Infelizmente isso não é um conto de fadas e ela foi embora. Nesse ponto meus reais problemas começaram. Eu não era mais capaz de fazer apenas sexo. Buscava em cada ato a plenitude do amor, não o encontrava e apenas gozava por educação. Isso não significa que o sexo para elas havia piorado, muito pelo contrário, com essa tentativa de encontrar o amor meu desempenho alcançara níveis inimaginados, mas isso só as deixava completamente apaixonadas o que sempre estragava a possibilidade de qualquer relacionamento já que o mesmo não acontecia comigo.
Anos mais tarde, eu encontrei a garota do “faz amor comigo” em uma festa. Fisicamente ela estava diferente das outras, era a mais bela mulher entre todas, incluindo ela mesma no passado. Psicologicamente já não era diferente, usava a mesma armadura das mulheres que sofreram muito na vida. Seus olhos já não apresentavam o brilho de outrora. Mesmo assim, naquela noite ficamos juntos. Em um determinado momento ela novamente me puxou pelos cabelos e disse meu nome seguido por um “me fode”. Fiz as 800 abdominais que tinha que fazer e fui embora enquanto ela dormia.

2 comentários:

Renata Braga disse...

O meu preferido dentre todos os teus ótimos textos....

Relendo agora, vejo que é perda de tempo correr atrás do amor.... sei la... talvez esteja nessa fase, que tu, felizmente já passou, de achar que essa busca é perdida...

Bejosss meu primeiro incentivador....

Dolce Cantabille Orquestra disse...

É...Amar é uma arte que deve ser aprendida.
Garcia Márquez diz que fazemos sexo até o amor nos alcançar.
O relógio do corpo, das descobertas, e do coração nem sempre andam estão no mesmo ritmo.
São as ironias da vida e do tempo!
Gostei muito do texto...continue!!
Abs.
Alexandra - Dolce Cantabille

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